sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Os Suspeitos

Os Suspeitos (Prisioners) EUA/Canadá, 13. Direção de Denis Villeneuve. Roteiro de Aaron Guzikowski. Paris Filmes. Com Hugh Jackman, Viola Davis, Jake Gyllenhaal, Maria Bello, Terrence Howard, Melissa Leo, Paul Dano, Len Cariou. 153 min. 

      Muito bem recebido no Festival de Toronto, que atualmente é considerado a previsão mais acertada para o Oscar, este filme policial de suspense acabou desapontado nas bilheterias (para um orçamento de 46 milhões de dólares rendeu ate agora apenas 53 milhões e por enquanto 22 no exterior). Em parte porque é excessivamente longo (quase três horas de duração), também bastante confuso, não muito original e muito prejudicado por um final que sem a menor necessidade é obliquo, como se tivessem medo de serem mais objetivos. Muita gente louvou também a interpretação de Hugh Jackman, achando que tem chance para o Oscar mas ele me pareceu excessivo, como se ainda estivesse na pele de Wolverine (alguns defendem dizendo que o publico americano não gosta e não entende sutilezas).

      O fato é que você já viu essa historia antes, muitas vezes por sinal. Com uma única diferença importante: o filme foi muito bem dirigido por um realizador canadense, já ate veterano que ficou finalmente famoso por causa de Incêndios (2010) virou Cult quando foi indicado ao Oscar de produção estrangeira. Perdendo para o inferior dinamarquês Em Um Mundo Melhor. Tanto que atualmente o texto foi adaptado para o teatro e esta em cartaz no Rio de Janeiro com Marieta Severo. O diretor chamado Denis Villeneuve e eu o conhecia apenas por outro filme lançado aqui (de 2000, Redemoinho).

      Seu trabalho é exemplar e original. Certamente não teve o poder de mexer muito em roteiro mas contou com um elenco de primeira linha, na verdade com excelentes atores que não tem muito o que fazer (como é o caso das esposas que se limitam a chorar Viola Davis e Maria Bello, já que o script não soube desenvolver os personagens paralelos). Ainda assim ele conseguiu manter a atenção e sustentar um clima de suspense, de aflição e expectativa, sem esquecer em registrar o frio, a neblina, o clima inóspito de inferno glacial.

      A historia é que carece de novidades, talvez culpa do roteirista Aaron Guzikowski (que fez aquele horrível Contrabando) . São duas famílias de classe trabalhadora da região Noroeste dos Estados Unidos que celebram o dia de Ação de Graças na casa de um deles (que são negros) mas logo a festa é interrompida porque duas meninas pequenas, uma de cada família parecem ter desaparecido. Hugh faz um deles, o mais desesperado, Terrence, o outro. Mas logo entra na historia um terceiro, o policial Jake Gyllenhaal), que vai preferir uma trajetória particular, solitária, tentando encobrir os possíveis culpados. Nunca houve um caso que ele não tenha resolvido antes e isso o deixa obsessivo (ainda assim é um personagem mal desenvolvido e a inexpressão de Jake, não ajuda em nada). O mais chocante da historia é que Hugh encontra um rapaz aparentemente deficiente mental, feito pelo geralmente ótimo Paul Dano em papel ingrato,  que estaria dentro do  Trailer que as crianças teriam encontrado na rua. Ou seja, é um potencial suspeito. Este é levado para um lugar escondido onde apanha  para ver se consegue uma confissão (e assim ainda chegar a tempo de salvar as crianças já que o tempo esta passando). Podemos ver ai uma condenação as torturas que hoje as Forças Armadas americanas realizam como pratica normal mas o fato é que deixa um grande mal estar. É  a brutalização de um pai cujo ato mais violento ate então ensinar o filho mais velho a caçar animais selvagens. 

      Finalmente depois de tanto sofrimento, há uma resolução que não me convenceu em parte por causa da falta de convicção do interprete, no caso o ator mais que o personagem. E depois um final que deixara muita gente com a pulga atrás da orelha como se falava antigamente. Embora seja lógica a conclusão, não havia porque depois de uma historia tão sombria não dar ao publico a satisfação de um final. 

Ref fim.      
   

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