segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Navegando na NetFlix: Gracie and Frankie

Não teve jeito, tive que me render a moda, digo avalanche da Netflix, não dava para resistir a quantidade de filmes e séries disponíveis a um preço acessível (ao menos até o governo lançar suas garras neles, diante da sede implacável de pagar as contas dos que tanto roubaram!). E a necessidade de ficar informado!

A primeira série que escolhi foi esta Gracie and Frankie (comédia em 13 capítulos) recente e candidata ao Emmy. Foi indicada apenas a co-estrela e co-produtora Lily Tomlin, mas é um grande injustiça com Jane Fonda, que está igualmente bem. As duas foram cúmplices no projeto e compartilham extremamente bem o resultado. Jane tem algo de antipático, de frio, que ela não tem a menor vergonha de usar. Ambas envelheceram bem, Lily com plásticas visíveis mas nunca foi um tipo de beleza é basicamente uma comediante que ocasionalmente fazia papeis dramáticos. Já Jane mexeu pouco e com muita dignidade assume seus setenta anos, no que é o personagem mais autobiográfico que já fez desde Num Lago Dourado. Gostei especialmente quando ela a espera de um parceiro para sexo, se olha no espelho e vê o braço caído e flácido, mexendo nele com tristeza e coragem! Não perdeu sua figura carismática que há décadas a havia consagrado como a grande estrela contestadora do cinema norte-americano.

Gracie (Jane) e Frankie (Lily) são casadas há mais de 40 anos e os maridos são advogados e sócios, Jane com Martin Sheen e Lily com Sam Waterston. O primeiro casal tem dupla de filhas já adultas, uma delas esperando o primeiro neto, o segundo um casal adotivo de rapazes, um deles negro, o outro tentando se recuperar das drogas. Eles conviveram por mais de 40 anos até que tem a surpresa realmente inesperada de que ambos pedem divórcio porque resolveram assumir o seu romance homossexual, saem do armário e apesar de tentarem ser civilizados com a situação (não é difícil nem muito mostrada a divisão de bens) fica uma mágoa muito grande que se estende pelos 13 capítulos desta primeira temporada (outro bloco já está em produção). Na verdade podiam ser menos, oito seria o numero ideal, ou nove. Porque alguns se esticam, um com flash backs desnecessários, outros insistindo no casal gay e suas idiossincrasias mais por causa da idade do que a opção sexual.  E não era necessário tantos beijos na boca, quando a dupla parece mesmo constrangida (é quase uma réplica ao de Fernanda e Natália, na novela da Globo!). Depois do nono capitulo, a trama perde o fôlego e vai ficando menos eficiente.

Embora seja comédia e tenha momentos engraçados, a série não é um sitcom tradicional, não tem nem mesmo a trilha de risadas de fundo. Mas os capítulos são curtos e fáceis de ver em uma ou duas sentadas, o que é um dos grandes atrativos da Netflix. E situa-se em grande parte no que seria uma casa de praia de San Diego. Não é excepcional como poderia, mas assisti com prazer e facilidade.

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