Brasil,
15. Direção de Sandra Werneck. Co-direção de Mauro Farias. Roteiro de
Paul Halm e Rita Toledo. Com Andréa Beltrão, Fernanda Freitas, Daniel
Dantas, Fernanda Vasconcellos, Renato Goes, Elisangela, Camila Amado,
Marcelo Airoldi, Eduardo Moscovis, Gloria Pires.
Uma pena que
Sandra Werneck não faça filmes mais frequentemente porque a gente sente
saudades de seus dois clássicos (ou cults, se preferirem) que foram Pequeno Dicionário Amoroso (97) e o encantador Amores Possíveis (01). Sem desmerecer naturalmente Cazuza,
04, os dois eram exemplos encantadores, mas também muito brasileiros de
comédia romântica para jovens adultos, sem qualquer resquício de querer
imitar o similar americano. Por isso, é tão bem vinda esta continuação
do Dicionário e também mais triste a decepção. A culpa evidente não é
dos atores, a tendência como costuma acontecer com os filmes nacionais é
colocar a culpa mesmo nos roteiristas que tiveram algumas ideias muito
ruins. A maior delas usar títulos separando as cenas, sem nada
acrescentarem com isso. Nem mesmo humor. Aliás, onde foram parar as
risadas. Depois de meia hora de filme, ficava me perguntando: isso não
deveria ser uma comédia? Pelo jeito não, a história é mal contada, o
elenco é desperdiçado, particularmente Gloria Pires, que tem meia dúzia
de cenas primárias como uma mãe de santo ou coisa que valha, que lê
cartas e faz feitiços (ela é ex-mulher do Gabriel, mãe de uma garota
moderna, Fernanda Vasconcellos, que trabalha com o pai que continua a
lidar com cobras e sapos). O filme parece que foi rodado em duas partes e
não há duvida que mostra recantos fotogênicos do Rio (aí esta uma coisa
que seria difícil de conseguir: enfear o Rio). Desde a separação do
casal central no filme anterior, passaram-se anos e Luiza (Andréa
Beltrão) casou duas vezes, atualmente com um construtor rico e chato
Alex (Marcelo) enquanto Gabriel teve vários romances inclusive um com
uma garota bem jovem (Fernanda Freitas). Luiza também dirige uma galeria
de arte, melhor dizendo de fotografias (ou seja, deve morrer de fome!) e
de repente sente saudades de Gabriel, passando a reencontrá-lo e
frequentá-lo! Embora ele continue o mesmo de sempre, não faz e não sai
de cima.
Para tornar o filme mais jovem, inventaram também duas
histórias paralelas alias muito mal desenvolvidas. Uma delas é com Alice
(Fernanda Vasconcellos), filha de Gloria e Gabriel, que é bissexual sem
maiores problemas. Está namorando uma moça (e há uma sequência
totalmente descartável que não combina com o filme, mostrando as duas
garotas se amassando num reservado de banheiro de boate!), mas sente-se
atraída também por um poeta. E tenta construir um triângulo perfeito!
Enquanto isso, Pedro (Miguel Arraes), filho de Luiza e Alex, é um garoto
de 13 anos, que procura encontros na Internet com uma mulher mais
velha. Esta situação acaba não passando de uma piada mal contada.
Porque
de repente muito convenientemente entra no filme um fotografo maduro
(Moscovis) por quem ela se apaixona. Pronto e lá retorna Chico Buarque
de fundo cantando uma canção (alias não inédita). Que tristeza... Até a
dupla central parece apática e desinteressada num filme que nunca
acontece.
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