Dinamarca, 2014. 107 min. Direção de Nils Malmros. Com Jakob Cedergren, Helle Fagralid, Ida Dwinger.
Indicado
no ano passado para o Oscar de filme estrangeiro (não ficou entre os
finalistas), este é um drama de um diretor veterano e extremamente
consagrado sem sua terra, por causa de seus trabalhos que giram em torno
principalmente de adolescentes, seus romances e frustrações. Ao que se
sabe nenhum deles passou comercialmente aqui e é uma surpresa ver em
cartaz esta história autobiográfica, feita com muita delicadeza e
simplicidade. Se fosse os americanos, teriam produzido um telefilme
repleto de melodrama e trilha musical suntuosa. Mas ele preferiu contar a
tragédia de uma maneira muito peculiar, humana, mas também fria como a
paisagem que eles habitam.
O protagonista é portanto é Johannes um
diretor de cinema ainda relativamente jovem e bem sucedido (há até uma
sequência passada em Cannes onde ele mostrava um filme) que conhece
Singe, uma professora por quem se encanta e eventualmente desposa. Mas a
história já começa com outro choque. Johannes está voltando de uma
palestra que teve que dar numa cidade próxima para retornar e encontrar a
casa em que vive com a mulher e a filha, ainda um belo bebê de olhos
azuis. Acontece então o choque quando a sogra lhe conta que a esposa que
seria maníaco depressiva (ou seja, bi polar), matou o bebê a facadas e
agora está num hospital. Já espanta a reação dele, qualquer pessoa
latina correria para o quarto, sairia chorando, batendo nas paredes ou
na pessoa mais forte. Ele engole tudo com paciência e ainda mais quando
inexplicavelmente os alunos da escola onde ela lecionava a querem de
volta mesmo assim, aliás com o apoio dos pais que assinaram manifesto!
Daí
em diante, aos poucos, enquanto ele fala como um psiquiatra, vamos
sabendo de como o casal se conheceu, como ela foi revelando a doença
(teve um irmão também que se suicidou, os pais dela são bem esquisitos,
inclusive a mãe que largou a filha sozinha e seria na verdade a culpa
pelo assassinato). Também vemos trechos dele fazendo cinema e até se
interessando por uma ninfeta, mas é curioso que o filme em vez de
crescer em suspense, vai caindo no interesse de tal forma, que quando dá
um pulo de vinte e tantos anos, é com letargia que esperamos por uma
conclusão curiosa mas igualmente pouco verossímil. Ainda assim mesmo
fique distante do povo latino, o filme pode interessar médicos,
psicólogos, pessoas com problemas semelhantes. Mas como cinema,
certamente o Sr. Malmros deve ter coisa melhor.
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