EUA,
15.101 min. Direção de Jonathan Demme. Roteiro de Diablo Cody. Com
Meryl Streep, Kevin Kline, Mammie Gummer, Rick Springfield, Joe Vitale,
Bernie Worrell, Ben Platt, Bill Irwin, Sebastian Stan, Nick Westrate,
Audra MacDonald, Charlotte Rae.
Já é lugar comum se elogiar
Meryl Streep e afirmar que qualquer filme com ela vale a pena. Sua
presença eclética (nunca se repete) e brilhante, é a única razão de se
assistir esta comédia romântica que vai beber em diversas e antigas
fontes do cinema (o que me lembrou foi de cara o Stella Dallas,
clássico romântico com casal separado e filha que despreza a mãe). Mas a
razão do roteiro ser tão fraco e não saber desenvolver direito os
personagens (como o ex-marido feito pelo exemplar Kevin Kline) é que foi
escrito pelo blefe Diablo Cody, que ganhou um Oscar de roteiro por Juno, 07 e depois só errou sucessivamente em Jovens Adultos, 11, Garota Infernal (que
também dirigiu, que ela mesmo reconhece foi um erro, 09). Quanto a
Meryl, o filme tem uma razão especial para ela estrelar aqui : é que
traz como sua própria filha, sua herdeira Mammie Gummer, que é uma Meryl
Feia e sem brilho (não má atriz, apenas sem vida). Ou seja, por ela,
aproveitou a chance de também voltar a cantar no cinema, coisa que já
fez vparias vezes (ultimamente em Os Caminhos da Floresta) só que desta vez como roqueira, demonstrando uma nova faceta de sua versatilidade.
Curiosamente
o filme não foi bem nos EUA, para um orçamento modesto de 18 milhões
até agora não rendeu mais de 23. O que também é pouco se considerarmos
que o trabalho é assinado por Jonathan Demme, que já foi dos grandes do
cinema. Volto a minha velha teoria de que os cineastas não duram mais do
que 10,15 anos de apogeu e passam a decair (Bergman foi exceção mas
prevendo isso se aposentou antes, Fellini também falhou em seus últimos
filmes, Spielberg virou mais produtor) . No seu auge Demme fez o
magnífico O Silencio dos Inocentes (que lhe deu o Oscar), Filadélfia, antes disso os cults De Caso com a Máfia e Totalmente Selvagem e alguns musicais (ele aproveita inclusive músicos do filme Stop Making Sense para fazerem parte da banda aqui, além de empregar vários parentes!).
Embora
o filme seja agradável e mesmo divertido, Demme não lhe acrescentou
muito, deixando tudo nas costas de Meryl, tornando tudo o mais
secundário. Ela faz uma mulher casada com três filhos que larga a
família (isso nunca é mostrado) para se tornar roqueira e gravar disco.
Agora vive com dificuldade tocando em barzinhos da Califórnia, embora
tenha a sorte de ter encontrado um músico mais jovem que a ama (a volta
de outro roqueiro Rick Springfield, australiano que em 1984 estrelou Um Homem Impossível de Amar e depois fez muita televisão inclusive o recente True Detective. Muito maquiado funciona como mero adereço romântico.
Tudo
muda quando o ex-marido telefonou dizendo que a única filha (justamente
Mammie) tentou se matar quando o marido a deixou por outra! Ricki
aceita o chamado e vem visitar a mansão da família embora seja mal
recebida pelos filhos (um deles, gay a acusa de homofóbica!, o outro o
Sebastian Shaw, que fez o papel do Soldado Invernal,
está prestes a se casar). A presença da mãe ate ajuda mas quem retorna é
a atual esposa que na verdade os criou e é interpretada pela grande
estrela da Broadway, recordista de Tonys, Audra MacDonald, que tem
praticamente apenas um longo texto a dizer (mas a escolha dela para o
papel soa falsa e demagógica). Enfim, SPOILER, nada explica o final
precipitado no pior estilo americano tudo se resolve como num passe de
mágica e todos vivem felizes. O que esperavam de Hollywood, realismo? Já
basta termos o tesouro Streep ainda estrelando filmes aos 63 anos.
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