Dois atores são conhecidos, Vinicius (o menino de Central do Brasil que cresceu e faz vaqueiro de cabelo comprido) e o ator da novela da Globo, Juliano Cazarré que trata com notável simplicidade o personagem de vaqueiro que sonha em ser costureiro (nada de gay nisso) e maior naturalidade ainda em se expor com nudez (o filme conclui com uma ao mesmo tempo bastante explícita mas delicada cena de sexo entre ele e uma vendedora de perfumes que está em adiantada gravidez).
Embora lento como insistente em ser o cinema brasileiro não comercial, é um filme bonito, humano, muito autoral.
Cazarré é Iremar, que trabalha numa "Vaquejada", uma espécie de modesto rodeio do Nordeste (ele prepara o animal e seu rabo para ser um usado na arena, onde o puxam e tentam derrubar). Vive com outros empregados numa espécie de caminhão que parece pertencer a uma jovem mulher de cabelos aloirados que tem uma filha pequena e malcriada (reclama do pai ausente). É curioso o que o filme praticamente não tem enredo ou história, os conflitos são pequenos e passageiros, os romances ainda mais. Enquanto Iremar sonha em uma dia realizar seu sonho…
O Boi ganhou Festivais de Adelaide, Hamburgo, Nantes, menção em Toronto, prêmio especial do Júri na paralela Horizons em Veneza, e no Rio foi votado como melhor filme, roteiro, atriz (Alyne Santana), e fotografia (Diego Garcia). Merece ser descoberto e apreciado.
Caro Rubens,
ResponderExcluirConcordo com você: o filme merece ser visto. Moderno, tecnicamente competente, os atores estão ótimos, belas e ousadas cenas, com tipos simples, reais e sem estereótipos nordestinos, divertido (a cena do roubo do sêmen do boi é hilária) e com uma bela mensagem.
A jovem dona do caminhão no filme é a talentosa e atuante atriz Maeve Jinkings, que também estrelou o premiadíssimo Som ao Redor, igualmente pernambucano. Em Boi Neon ela está bem diferente, com os cabelos descoloridos, quase irreconhecível. Só achei que seu personagem merecia mais espaço, pois seu talento merece.