EUA,
15. 125 min. Direção de James Vanderbilt. Roteiro de Vanderbilt baseado
em livro de Mary Mapes. Com Robert Redford, Dennis Quaid, Topher Grace,
Elisabeth Moss, Bruce Greenwood, Stacy Keach, John Benjamin Hickey,
Dermot Mulroney.
Os americanos tem umas coisas esquisitas difíceis
de entender. Ano passado eles fizeram dois filmes com temas
semelhantes, basicamente fazendo o louvor da imprensa norte-americana.
Um deles foi super badalado e acabou ate mesmo ganhando o Oscar de
melhor filme, Spotlight (que nunca me convenceu em
particular na sua pouco convincente denúncia dos padres pedófilos). O
outro foi este que teve uma fraca carreira de bilheteria e acabou sendo
rejeitado por todos, apesar do ótimo elenco e de tratar de um caso
polêmico acontecido nos bastidores de uma televisão, no caso envolvendo
um lendário jornalista chamado Dan Rather, num conflito que praticamente
encerrou a carreira de um muito respeitado jornalista/âncora. E que
encerrou sua carreira na CBS, acusado de ter manchado propositalmente a
carreira do presidente George W. Bush (o que para nos brasileiro seria
impossível de fazer, já que ele mesmo se encarregou de fazer isso
sozinho!).
Parte do fracasso certamente se deve aos republicanos,
mas também ao diretor que na verdade estreia no ramo, já que tem uma
longa carreira como roteirista. Entre eles, Zodíaco, O Espetacular Homem Aranha, o novo Independence Day 3 (anunciado para depois do ainda inédito 2). E outros menos notáveis como o terror No Calor da Noite, Violação de Conduta, o horrível Bem-vindo a Selva, o ignorado Os Perdedores, O Ataque (à Casa Branca). Ou seja, já da para ver que não é nenhum gênio. E aqui meteu os pés pelas mãos.
Falta
suspense, clima, falta aproveitar melhor o elenco muito interessante,
já que ele consegue deixar neutra a normalmente magnífica Cate Blanchett
(ela interpreta Ms Mape, assistente e pessoa de confiança do ancora) e
tornou Robert Redford uma figura apagada e sem o velho carisma.
O
titulo original, ou seja Verdade, seria muito sugestivo (será que não
falta uma interrogação?), mas o assunto é um pouco distante demais em
tempo e espaço para o espectador brasileiro. E não tem o impacto de um
docudrama. O clímax aconteceu em 8 de setembro de 2004, quando
apresentaram o episódio do programa 60 Minutos II, que alegava que as
conexões familiares de Bush, facilitaram o fato dele não ser convocado
para lutar no Vietnã e ele foi apenas servir na Texas Air National
Guard. Mas o problema foi que não conseguiram papeis que provassem que
Bush tivesse sido relaxado e incompetente, nesse período. E Mr.
Ratherman saiu do seu posto de âncora do canal.
No filme não
ficamos sabendo das convicções políticas dos envolvidos e Mr. Rather
parece um bom sujeito mas sem brilho ou profundidade. Porque a ênfase
esta em Ms Mape que em 2005 escreveu o livro Truth and Duty, the Press,
The President, and the privilege of Power, que serviu de base para o
filme. O filme faz questão de pintá-la como uma profissional competente e
incansável, que não merecia o descrédito pelo próprio pai. Na verdade é
a própria estrutura do noticiário numa TV que é o ponto mais frágil e
criticável de todo o filme. E o problema é simples: o filme não viaja
bem, nem para os americanos interessou, quanto mais para a gente que
vive no momento crises muito mais intensas e discutíveis do que esta
intriga entre milionários jornalistas e políticos de valor duvidoso.
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