Bélgica,
15. 113 min. Direção de Jaco Von Dormael. Com Pili Groyne, Catherine
Deneuve, Benoit Poelvoorde, François Damiens, Yolande Moreau, Laura
Verlinden, Marco Lonzerini. Romain Gelin, David Murgia (como Jesus
Cristo). Roteiro de Dormael e Thomas Gunzig.
Depois de ter sido
indicado ao Globo de Ouro, ganhar prêmios no European Film Award
(desenho de produção), Austin, Biografilm, dois prêmios do Publico no
Norwegian, e melhor atriz em Sitges, este filme belga foi um dos
finalistas para o Oscar de filme estrangeiro. Vale a pena assistir esta
comédia irreverente, original, criativa e talentosa que não parece nada
que tenha visto antes. Uma fantasia deliciosa que confirma o talento do
diretor, que fez muito sucesso no Brasil com Toto, Le Herós (Um Homem com Duas Vidas), premiado em Cannes e que repetiu a dose logo depois com O Oitavo Dia
(96) sobre um garoto com síndrome de Down (o ator faz uma ponta aqui em
que a mãe tenta sufocá-lo com o travesseiro). O filme seguinte Sr Ninguém (Mr Noboby, 09) tinha Jared Leto e era fora do comum, mas passou em branco, assim como outro que não passou aqui (Kiss & Cry,
11). Mas Dormael retorna com tudo aqui num filme difícil de resumir
porque pode tirar a surpresa do espectador. Começamos dizendo que Deus
está vivo e mora em Bruxelas! Só que esse Deus é um cara malvado, mal
humorado que faz mal a humanidade e neutraliza a esposa (Moreau) e trata
mal da filha única (Pili) que se rebela contra a ele, liberando a
informação secreta de quando as pessoas irão morrer. O que provoca uma
incrível confusão com as pessoas...
A menina chamada Ea não tem
dúvida, depois de apanhar do pai, escapa através de uma maquina de lavar
(sim, o filme tem momentos surrealistas, mas em geral são poéticos e
encantadores) e vai parar numa cidade grande onde está decidida em
conseguir mais 6 apóstolos para mudar as coisas (isso veio como conselho
do seu próprio amigo J.C. Jesus Cristo, cuja imagem ela tem em seu
quarto). Parte assim através de seus novos escolhidos (entre eles a
única estrela é a madura Catherine Deneuve, que consegue uma alternativa
para seu marido desagradável) e um deles é um garotinho que antes de
morrer como estava previsto quis se vestir de menina!
É verdade
que o filme tem um certo desequilíbrio já que não foi possível manter
sempre o mesmo ritmo e nível de humor, brincar com todas as ironias sem
ofender ninguém. Mas é um dos filmes mais originais e críticos dos
últimos tempos. Acho obrigatório para quem gosta de cinema. E reclama da
vida!
Também achei o filme divertido e criativo. Obrigatório mesmo. Ouso dizer que a seriedade divina (se é que existe) seria bem próxima da representada no filme, seria mais crível e interessante. Temos que desencanar dessa sacralização do mundo.
ResponderExcluirOi, Rubens. Eu adorei o filme. Só um adendo, Jesus não é amigo dela no filme, é irmão...
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